Ser corinthiano é materializar as juras de um casamento. “Na saúde e na doença”. Várias vezes em nossa história o amor incondicional pelo Timão foi colocado à prova. Não tive o privilégio de viver a fila de 23 anos, mas sofri com derrotas e rebaixamento.
Mas nada se compara ao que essa corja que rasteja no Parque São Jorge está causando.
Já vi o Corinthians endividado…
mas nunca com transferbans.
Já vi diretorias ruins… mas nunca em páginas policiais como agora.
Já vi meu time com patrocinadores pouco conhecidos…
mas nunca com bet e plataforma de pornografia juntos.
E nunca vi um grupo de corinthianos abnegados que não querem nada do clube, como os idealizadores da Safiel, serem ignorados, tratados com desprezo pelo presidente (In)Stábile, apenas pela ousadia de querer, ora, vejam só, tirar o clube do pestilento lodo em que se encontra.
O digníssimo Osmar não quer assinar um termo não-vinculante, mesmo que o clube não tem nada a perder! Basta autorizar uma auditoria para posterior tentativa para a Safiel captar recursos que colocariam Corinthians na rota da sustentabilidade e dos títulos.
Supostamente, o motivo da negativa do cartola seria a auditoria. Supostamente ainda, seria porque a Safiel separaria o gigantesco futebol mosqueteiro do paroquiano clube do Parque São Jorge. Mas que graça teria para os conselheiros fazerem parte “apenas” de um clube social? Que graça teria não aparecer? Que péssimo não poder dar carteirada e dizer “sou conselheiro do Corinthians!”
O nível abissal dessa gente foi demonstrado com o que fizeram com Memphis Depay. Não, não bastava dizer logo de cara que o clube não queria a renovação do contrato. Isso seria pouco para um jogador que ousou falar umas verdades. O holandês detonou esses pegadores de camisas, esses contratantes de empresas obscuras, esses fazedores de contratos milionários para cabeças de bagre, esses usurpadores de cartões corporativos, esses perseguidores de quem discorda deles. Apenas não renovar seria pouco para esse gringo que ajudou o time a se livrar da série B, rumo à Libertadores; que humilhou nosso rival subindo na bola, que conquistou Paulista, Copa do Brasil e Supercopa. Apenas dizer “não, obrigado” ao Memphis seria pouco.
Ele tinha que ser humilhado. Quando o jogador aceitava as condições do clube, o clube impunha outra. E outra, e outra. Até emitir uma nota asquerosa alegando dificuldades financeiras e responsabilidade com as contas da instituição. Ora, seu Stábile, a economia de não renovar com o Memphis equivale a uma gota d´água no oceano de dívidas que vocês farmaram. Mais de 3 bilhões de reais! Além disso, todos sabemos que os patrocínios e fortalecimento do time com o holandês, geraria mais receitas do que despesas. Da mesma forma que o “barato sai caro”, o “caro pode sair barato”. Até o pródigo contrato anterior do Memphis valeu a pena. Quanto perderíamos se caíssemos para a série B, por exemplo? E olha que quem escreve isso não é de “pagar pau” para jogador. Só que o estrangeiro, em apenas dois anos, aprendeu mais de Corinthians do que vocês em 70 ou 80.
Não, senhor presidente. O motivo não foi economia. O motivo foi birra. Afinal, como alguém já disse, vocês preferem ser dirigentes de um clube falido do que simples torcedores de um clube multicampeão.
Eu me pergunto até quando os senhores feudais do Parque São Jorge vão “tirar onda’ com a nossa cara. Mas sinto que já tenho a resposta.
O Ministério Público e a torcida vão abreviar esse tempo.
A ver.
*A opinião do blogueiro não reflete necessariamente a posição do portal.

